Registros do sagrado livro dos ossos de Maarda

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Registros do sagrado livro dos ossos de Maarda

Mensagem por Theseu em Sab Maio 08, 2010 11:49 am

Dizem entre meu povo que um clã, é como uma família, assim, contando a estória de meu clã, estarei contando a estória de meus antepassados.

A estória do clã da lâmina gotejante começa com Bator, o mais famoso orc de todos os tempos. Ele foi o Grod que nos liderou pela passagem entre os dentes de Angrod. Mas Bator não era um Grod comum, ele era também conhecido por falar com os deuses e tornar conhecidas suas vontades. Por isso ele jamais perdeu uma batalha e suas habilidades mágicas o tornaram também o Grão-Tarin da família orc.

Os registros de sua vida são guardados por mim, Vrugark, mestre Tarin e detentor do sagrado registro dos ossos de Maarda, onde são colocados os nomes e passagens da vida de todos os grandes orcs, para que jamais sejam esquecidos. Irei recitar agora a estória de Bator e do clã da lâmina gotejante, para que vocês, jovens orcs, possam conhecê-lo...


Mais uma vez eu acordo durante a noite após um sonho maligno. Sinto o vento gelado da garganta de Angrod sacudir meus cabelos e provocar calafrios em minha espinha. Mais uma vez sonhei com minha própria morte... Sempre que vejo minha derrocada, a luz da lua sorridente está no céu. Ela ri de meu sangue jorrado na terra. Enquanto olho minha fêmea e filhotes, me pergunto o que Maarda está tentando me dizer? Ela nos guiou até aqui atrás dos filhos de Aurukodar. Conseguimos pegar alguns que confirmaram a vontade de Maarda e foram sacrificados em um festim para glória da sagrada família. Chega. Está na hora de levantar. Ponho as mãos em meu chifre e o sopro com toda a força de meus pulmões, ouvindo o poderoso urro de Amrod, que chama os orcs para a ação e guerra. Daqui posso ver toda a grande família se movimentar em suas tendas de pele e sinto a terra tremer sob meus pés com o movimento do acampamento. Todos têm fome mas não ousam se rebelar contra mim, pois eu carrego a vontade da sagrada família.

Me aproximo de meus generais e do conselho dos Tarin. Eles me olham com olhares de fúria e desprezo.

- Irmãos orcs, temos que seguir nosso caminho pois o olhar de Angrod já está no céu, e é sua vontade que continuemos atrás das crias de Aurukodar...

Tomando a frente vejo Budak, chefe do clã do crânio quebrado.

- E É VONTADE DE ANGROD QUE MORRAMOS DE FOME!!?? JÁ PERDi MUITOS DE MEU CLÃ E MEUS FILHOTES ESTÃO DOENTES!! VOCÊ NÃ...

Com um urro avanço para cima de Budak antes que ele complete a frase e agarro sua garganta com força. Espremo-a até que sangue comece a escorrer pelas minhas mãos e digo a ele.

- Se os seus estão morrendo e ficando doentes, e porque são fracos e é vontade de Angrod que morram... Pare de choramingar seja um orc de verdade!

Solto sua garganta com um empurrão e me volto para os outros Grods.

- Irmãos orcs, vocês são Grods e sabem que eu, Bator, tenho a visão de Maarda, a vitalidade de Amrod e principalmente, a impetuosidade de Angrod. A maior prova disso é a prosperidade do clã da lâmina gotejante, maior entre todos os outros clãs. Também sou o único Grod que também é Tarin e capaz de sonhar com a sabedoria de Maarda. EU os guiei até aqui, a garganta de Angrod e aqui encontramos rastros das crias traiçoeiras de Aurukodar! Temos que acelerar nossa marcha para que possamos encontrá-los e acabar com eles e retomar o que é nosso por direito! Se algum de vocês pensa o contrário então não são verdadeiros orcs e são inimigos da grande família orc e devem retornar. Mas saibam que farão isso sob a vista de Angrod que está brilhando hoje no alto!

Observo enquanto os Grod parecem decidir o que fazer. Satisfeito vejo-os abaixarem as cabeças e bater com o punho fechado em seus ombros direitos. Suas armas ainda são minhas armas. Olho Budak nos olhos e ainda que relutante ele faz o mesmo. Sorrio e me posiciono na parte mais alta da garganta de Angrod e grito para que todos possam ouvir. Estamos agora partindo no encalço dos traidores de Aurukodar, e quando os encontrarmos, o festim será glorioso... A viagem prossegue enquanto a garganta treme sob nossos pés, mas uma coisa me intriga e irrita. O que será que a lua sorridente quer dizer??


Última edição por Theseu em Sab Ago 07, 2010 10:55 am, editado 1 vez(es)

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Re: Registros do sagrado livro dos ossos de Maarda

Mensagem por Theseu em Sab Ago 07, 2010 10:53 am

Finalmente Bator e a grande família orc haviam chegado ao final da passagem chamada pelos orcs de garganta de Angrod. O frio intenso castigava até mesmo as peles duras daquelas criaturas que já estavam acostumadas aos mais duros castigos sem se queixarem. Bator observava à sua frente intrigado. Ali, próximo ao caminho de descida que saia da passagem, em um pequeno bosque, haviam filhos de Aurukodar mortos. Porém não eram os vermes que lhe chamavam atenção, mas sim as estranhas criaturas que também jaziam caídas junto deles. Eram magras e tinham peles estranhas, e seus olhos lembravam as pedras que os anões gostavam tanto. Ele observava junto aos outros grods enquanto Gund-bubash, tarin dos olhos flamejantes analisava a novidades. O que mais fazia Bator pensar era que os estranhos carregavam o símbolo da lua sorridente, o que não o deixava com medo mas sim apreensivo e ansioso para encontrar outros como aquelas criaturas. Gund-bubash finalmente levantava depois de muito tempo e caminhou na direção do poderoso grod da lâmina gotejante.

-E então? o que são essas coisas??

Bator perguntou abandonando seus pensamentos.

-Não estou certo grod, mas sei que são perigosos. Pelo que pude ver, eles de alguma forma sabem usar os poderes de Maarda.

-Os poderes de Maarda!? Não se parecem em nada com orcs!! Apenas orcs são abençoados com a sabedoria de Maarda!

Esbravejava o irritado Budak.

-Ainda não sei ao certo Budak do crânio quebrado, mas nenhuma arma poderia fazer aquilo.

Disse o tarin enquanto apontava para uma grande área queimada em volta de um buraco no chão. Ainda podiam ver a fumaça subindo da terra como uma fogueira sem lenha.

-E veja, há material mágico aqui... reflete como água mas também é duro como.... -dizia um jovem soldado orc quando sacudindo a mão largou o estranho pedaço reluzente, sacudindo fortemente sua pata -ARRGHHH!!! Que coisa maldita é essa!!!?? - disse enquanto brandia seu martelo pronto para golpear os pequenos pedaços de cristal perto da grande cratera.

-SILÊNCIO TODOS VOCÊS!!! - ordenou Bator - Afaste-se do buraco agora!

Sem mais palavras o jovem soldado orc afastou-se com a cabeça baixa, tal como um filhote repreendido pelo pai sob o olhar de Bator.

-Sábio Gund-bubash, acamparemos aqui até que Maarda nos envie um sinal e nos diga que criaturas são essas. Não podemos prosseguir até que tenhamos certeza de como estes gravetos ambulantes conseguem fazer isso. Até lá, quero que todos os Tarin venham até aqui para acender a grande fogueira. Talvez o calor de Amrod nos ajude a achar uma resposta. -com um assentir de cabeça Gund-bubash subiu de volta pelo mesmo caminho de onde vieram, se dirigindo até onde sabia estarem os outros Tarin- Grods!!! Recolham tudo o que encontrarem, quero saber sobre as armas que eles usam e sintam-se felizes, Angrod nos abençoou com um banquete esta noite!!!!

Os grods dos outros clãs urravam como se uma grande vitória fora conquistada, após muitas luas sem se alimentar direito, finalmente Angrod os dava tanta comida. Bator continuava observando a movimentação dos outros grods e podia ver também seus irmãos e irmãs descendo pela garganta. Porém a única coisa que realmente o chamava atenção, era o estandarte que carregava aquela maldita lua. Precisava descobrir quem eram os estranhos...

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Re: Registros do sagrado livro dos ossos de Maarda

Mensagem por Theseu em Qua Fev 02, 2011 12:46 pm

Foi em uma Fria manhã que Bator foi acordado por um jovem orc. Este parecia ter sangue nos olhos. Bator reconheceria aquele olhar em qualquer orc. Era o olhar que todos tinham quando encontravam a presa caçada. Era o olhar que precedia o calor da "kanalvisdi", a fúria de Angrod. Com um salto Bator se levantou do chão e viu que ali estavam Gund-Bubash e Budak, trajados em suas vestes de guerra.

-O que há irmãos?

-Encontramos os vermes de Aurukodar, estão na garganta abaixo. Venha e mostraremos a você - Disse Budak.

Um sorriso brotou no rosto de Budak. Há muito tempo estava atrás dos usurpadores. Sem mais demora correu ao lado de seus irmãos para o alto de uma grande pedra, no alto de uma elevação onde podia ver vários dos vermes entre as árvores abaixo. Pode sentir imediatamente o chamado de Angrod para a batalha. A respiração ficava mais rápida. O ar quente exalava de suas narinas e o urro crescia em suas entranhas. Segurou o cabo de seu machado de guerra com firmeza e sentia a pressão cada vez maior dentro de seu peito. Finalmente aconteceu. O céu ficou vermelho da cor do sangue, os músculos foram inundados com a força de Amrod, a mente tomada pela fúria de Angrod. Era a hora de matar...

Com um urro de guerra Bator desceu como um leopardo das neves em direção ao acampamento inimigo. Pode ouvir os seus irmão descerem atrás de si, também tomados pela kanalvisdi. Brandindo seu machado seus olhos focaram no rosto assustado do que parecia o líder dos Aurokodar naquele lugar. A pobre criatura ainda tentou inutilmente brandir sua insignificante arma, antes de ser partida em dois por um golpe de Bator. O pânico tomara o acampamento dos traidores. Finalmente os orcs haviam chegado, trazendo consigo a vontade da sagrada família. Pernas voavam pelo ar após golpes brutais, cabeças eram devoradas e gritos desesperados preenchiam a floresta. Filho após filho de Aurukodar caíam frente a força orc.

Tudo rumava em direção a uma vitória gloriosa. Porém, os filhos de Aurukodar não estavam sós aquele dia. Como sombras vindas das árvores, criaturas estranhas começaram a aparecer. Eram seres magros e de orelhas grandes. Tinham vozes esganiçadas e irritantes. Brancos como a neve que cercava a natureza, atingiram os filhos de Aurukodar com suas flechas. Estavam roubando a glória dos orcs. Ousadas criaturas. Bator viu que estavam do mesmo lado e por isso não atacou nenhum dos estranhos. Talvez soubessem onde mais filhos de Aurukodar estavam escondidos.

Com a ajuda dos recém chegados não demorou muito para que os vermes estivessem esmagados sobre as solas dos pés dos orcs. Alguns poucos conseguiram correr. Deixe que os vermes escaparem, irão morrer como os outros eventualmente, disse Bato. Voltando-se para os estranhos ogrande Grod perguntou, já entrando novamente em seu estado nvwadohiyada, a concentração de Maarda.

- Quem são vocês criaturas da neve?

A criatura a sua frente pronunciou algumas palavras. Não eram palavras que Bator já tinha ouvido antes, o que irritava o grod.

- Fale como um or... - As palavras se extinguiram de seus pulmões quando Bator percebeu que um dos estranhos carregava o símbolo que o perseguia em seus sonhos.

-O que é isso!? -Perguntou Bator já brandindo novamente sua arma. - É o símbolo de vocês!? Fale!

O estranho parecia confuso e inicialmente assustado. Depois olhou Bator com olhar de irritação. Este olhar mudou quando Bator separou o ombro do resto do corpo da frágil criatura com uma machadada. Se aquela criatura pensava que podia olhar rispidamente para o senhor daquelas terras, descobrira da pior forma que estava enganada. O sangue espirrando no rosto de Bator foi o suficiente para colocar seus irmãos mais uma vez em estado de batalha. No entanto, tal como sombras iluminadas pela luz, os estranhos começaram a desaparecer um a um sobre as vistas dos orcs. Logo estes se viram sozinhos.

Então estes eram os estranhos da lua sorridente. Seriam estes o responsáveis pela derrocada de Bator? Os pensamentos atravessavam a mente do poderoso grod, enquanto este ainda contemplava a floresta a sua frente. Era hora da grande nação orc se estabelecer para a luta, e ali era o lugar perfeito...


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Re: Registros do sagrado livro dos ossos de Maarda

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